terça-feira, 30 de janeiro de 2018




                             A história de Sísifo

   
   Na mitologia grega, Sísifo, de Tiziano, (em grego: Sísyphos) que nasceu em 1549, filho do rei Éolo, da Tessália, e Enarete, era considerado o mais astuto de todos os mortais.
   Foi o fundador e primeiro rei de Éfira, depois chamada Corinto onde governou por diversos anos. Casou-se com Mérope, filha de Atlas, sendo pai de Glauco e avô de Belerofonte.
   Éolo foi um dos filhos de Heleno, filho de Deucalião, e reinou sobre a Tessália. Enarate era filha de Deimachus.
   Éolo e Enarete tiveram vários filhos: Creteu, Sísifo, Deioneu, Salmoneu, Atamante, Perieres, Cercafas e Magnes, e filhas, Calice, Peisidice, Perimele, Alcione e Cânace.
   Mestre da malícia e da felicidade, ele entrou para a tradição como um dos maiores ofensores dos deuses.
Segundo Higino, ele odiava seu irmão Salmoneu; perguntando a Apolo como ele poderia matar seu inimigo, o deus respondeu que ele deveria ter filhos com Tiro, filha de Salmoneu, que o vingariam. Dois filhos nasceram, mas Tiro, descobrindo a profecia, os matou. Sísifo se vingou ... e, por causa disso, ele recebeu como castigo na terra dos mortos empurrar uma pedra até o lugar mais alto da montanha, de onde ela rola de volta.
   Segundo Pausânias, ele tornou-se rei de Corinto após a partida de Jasão e Medeia; nesta versão, Medeia não matou os próprios filhos por vingança, mas escondeu-os no templo de Hera esperando que, com isso, eles se tornassem imortais.
Sísifo casou-se com Mérope, uma das sete Plêiades, tendo com ela um filho, Glauco. Ele também teve outros filhos, Ornitião, Tersandro e Almus.
   Certa vez, uma grande águia sobrevoou sua cidade, levando nas garras uma bela jovem. Sísifo reconheceu a jovem Égina, filha de Asopo, um deus-rio. Mais tarde, o velho Asopo veio perguntar-lhe se sabia do rapto de sua filha e qual seria seu destino. Sísifo logo fez um acordo: em troca de uma fonte de água para sua cidade, ele contaria o paradeiro da filha. O acordo foi feito e a fonte presenteada recebeu o nome de Pirene.
   Assim, ele despertou a raiva do grande Zeus, que enviou o deus da Morte, Tânato, para levá-lo ao mundo subterrâneo. Porém o esperto Sísifo conseguiu enganar o enviado de Zeus. Elogiou sua beleza e pediu-lhe para deixá-lo enfeitar seu pescoço com um colar. O colar, na verdade, não passava de uma coleira, com a qual Sísifo manteve a Morte aprisionada e conseguiu driblar seu destino.
Durante um tempo não morreu mais ninguém. Sísifo soube enganar a Morte, mas arrumou novas encrencas. Desta vez com Hades, o deus dos mortos, e com Ares, o deus da guerra, que precisava dos préstimos da Morte para consumar as batalhas.
Tão logo teve conhecimento, Hades libertou Tânato e ordenou-lhe que trouxesse Sísifo imediatamente para as mansões da morte.          Quando Sísifo se despediu de sua mulher, teve o cuidado de pedir secretamente que ela não enterrasse seu corpo.
Já no inferno, Sísifo reclamou com Hades da falta de respeito de sua esposa em não o enterrar. Então suplicou por mais um dia de prazo, para se vingar da mulher ingrata e cumprir os rituais fúnebres. Hades lhe concedeu o pedido. Sísifo então retomou seu corpo e fugiu com a esposa. Havia enganado a Morte pela segunda vez.
   Outra história a respeito de Sísifo trata do ocorrido quando Autólico, o mais esperto e bem-sucedido ladrão da Grécia (que era filho de Hermes e vizinho de Sísifo), tentou roubar-lhe o gado.          Autólico mudava a cor dos animais. As reses desapareciam sistematicamente sem que se encontrasse o menor sinal do ladrão, porém Sísifo começou a desconfiar de algo, pois o rebanho de Autólico aumentava à medida que o seu diminuía. Sísifo, um homem letrado (teria sido um dos primeiros gregos a dominar a escrita), teve a ideia de marcar os cascos de seus animais com sinais de modo que, à medida que a res se afastava do curral, aparecia no chão a frase "Autólico me roubou". Posteriormente, Sísifo e Autólico fizeram as pazes e se tornaram amigos. Sísifo também seduziu Anticleia, filha de Autólico, que mais tarde se casou com o rei de Ítaca, Laerte; por este motivo, Odisseu é considerado, por alguns autores, como filho de Sísifo.
   Sísifo morreu de velhice e Zeus enviou Hermes para conduzir sua alma a Hades. No tártaro, Sísifo foi considerado um grande rebelde e teve um castigo, juntamente com Prometeu, Tício, Tântalo e Íxion.
   
                                    A punição de Sísifo
  Sísifo recebeu esta punição: foi condenado a, por toda a eternidade, rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível, invalidando completamente o duro esforço despendido. Por esse motivo, a expressão "trabalho de Sísifo", em contextos modernos, é empregada para denotar qualquer tarefa que envolva esforços longos, repetitivos e inevitavelmente fadados ao fracasso - algo como um infinito ciclo de esforços que, além de nunca levarem a nada útil ou proveitoso, também são totalmente desprovidos de quaisquer opções de desistência ou recusa em fazê-lo.

                                  "Trabalho de Sísifo"

   Sísifo tornou-se conhecido por executar um trabalho rotineiro e cansativo. Tratava-se de um castigo para mostrar-lhe que os mortais não têm a liberdade dos deuses. Os mortais têm a liberdade de escolha, devendo, pois, concentrar-se nos afazeres da vida cotidiana, vivendo-a em sua plenitude, tornando-se criativos na repetição e na monotonia.

                                                                                                                                                                      Origem: Wikipédia.



COMENTÁRIO:   

   "A punição de Sísifo não está só na árdua e insignificante tarefa, ela também é provida de uma extrema “nulidade”, sem efeito algum, que só gera tédio e desespero".

quarta-feira, 25 de outubro de 2017


                                  O Mito da caverna!


    imagens internet.

                                          Significado:

   O Mito da caverna é uma metáfora criada pelo filósofo grego Platão, que consiste na tentativa de explicar a condição de ignorância em que vivem os seres humanos e o que seria necessário para atingir o verdadeiro “mundo real”, baseado na razão acima dos sentidos.
   Também conhecida como Alegoria da Caverna ou Parábola da Caverna, esta história está presente na obra “A República”, criada por Platão e que discute, essencialmente, a teoria do conhecimento, linguagem e educação para a construção de um Estado ideal.
   O Mito da Caverna é um dos textos filosóficos mais debatidos e conhecidos pela humanidade, servindo de base para explicar o conceito do senso comum em oposição ao que seria a definição do senso crítico.
   Segundo o pensamento platônico, que foi bastante influenciado pelos ensinamentos de Sócrates, o mundo sensível era aquele experimentado a partir dos sentidos, onde residia a falsa percepção da realidade; já o chamado mundo inteligível era atingido apenas através das ideias, ou seja, da razão.
   O verdadeiro mundo só conseguiria ser atingido quando o indivíduo percebesse as coisas ao seu redor a partir do pensamento crítico e racional, dispensando apenas o uso dos sentidos básicos.
   Nesta narração, Platão nos convida a imaginar uma caverna onde dentro existem humanos que nasceram e cresceram dentro dessa mesma caverna. Eles nunca saíram, porque se encontram presos no seu interior. Os habitantes da caverna estão de costas voltadas para a sua entrada. Fora da caverna, existe um muro alto que separa o mundo exterior da caverna. Os homens existentes no mundo exterior mantêm uma fogueira acesa, e os ruídos que fazem podem ser ouvidos dentro da caverna. De igual forma, as suas sombras são refletidas na parede no fundo da caverna, e os seres humanos acorrentados, vêm as sombras e pensam que elas são a realidade.

                                
                                    O Mito da Caverna 


   De acordo com a história formulada por Platão, existia um grupo de pessoas que viviam numa grande caverna, com seus braços, pernas e pescoços presos por correntes, forçando-os a fixarem-se unicamente para a parede que ficava no fundo da caverna.
   Atrás dessas pessoas existia uma fogueira e outros indivíduos que transportavam ao redor da luz do fogo imagens de objetos e seres, que tinham as suas sombras projetadas na parede da caverna, onde os prisioneiros ficavam observando.
   Como estavam presos, os prisioneiros podiam enxergar apenas as sombras das imagens, julgando serem aquelas projeções a realidade.
   Certa vez, uma das pessoas presas nesta caverna conseguiu se libertar das correntes e saiu para o mundo exterior. A princípio, a luz do sol e a diversidade de cores e formas assustou o ex-prisioneiro, fazendo-o querer voltar para a caverna.
   No entanto, com o tempo, ele acabou por se admirar com as inúmeras novidades e descobertas que fez. Assim, quis voltar para a caverna e compartilhar com os outros prisioneiros todas as informações e experiências que existiam no mundo exterior.
   As pessoas que estavam na caverna, porém, não acreditaram naquilo que o ex-prisioneiro contava e chamaram-no de louco. Para evitar que suas ideias atraíssem outras pessoas para os “perigos da insanidade”, os prisioneiros mataram o fugitivo.




                      Interpretação do Mito da Caverna



   Para Platão, a caverna simbolizava o mundo onde todos os seres humanos vivem, enquanto que as correntes significam a ignorância que prendem os povos, que pode ser representada pelas crenças, culturas e outras informações de senso comum que são absorvidas ao longo da vida.
   As pessoas ficam presas a estas ideias pré-estabelecidas e não buscam um sentido racional para determinadas coisas, evitando a “dificuldade” do pensar e refletir, preferindo contentar-se apenas com as informações que lhe foram oferecidas por outras pessoas.
   O indivíduo que consegue se “libertar das correntes” e vivenciar o mundo exterior é aquele que vai além do pensamento comum, criticando e questionando a sua realidade.
   Assim como aconteceu com seu mestre, Sócrates, que foi morto pelos atenienses devido aos seus pensamentos filosóficos que provocavam uma desestabilização no “pensamento comum”, o protagonista desta metáfora foi morto para evitar a disseminação de ideias “revolucionárias”.
   O Mito da Caverna mantém-se muito contemporâneo nas diversas sociedades ao redor do mundo, que preferem permanecer alheios ao pensamento crítico (seja por preguiça ou falta de interesse) e aceitar as ideias e conceitos que são impostos por um grupo dominante, por exemplo.

https://www.significados.com.br/mito-da-caverna/

sábado, 14 de outubro de 2017

                                        "ZEUS: O DEUS DOS DEUSES"!

   "O principal deus da mitologia grega é ZEUS, deus dos trovões, senhor do Olimpo. Ele é considerado, na Grécia Antiga, o deus dos deuses. O nome ZEUS, em grego, significa “rei divino”. ZEUS era filho mais jovem do casal de titãs Cronos e Rea".

     Zeus: deus grego
     Imagem internet


   Zeus , o deus da mitologia grega, senhor dos homens e supremo mandatário dos deuses que habitavam o monte Olimpo. A imagem de Zeus era representada por um homem forte, barbudo, de aspecto majestoso, com um raio na mão e uma águia a seu lado.
   Zeus, senhor dos deuses e dos homens, surgiu na Grécia Antiga numa época em que proliferaram vários deuses nos mitos tribais, como tentativa de explicar os fenômenos naturais ou como garantia de vitória nas guerras, de boa colheita, de sorte no amor etc. Zeus é filho de Cromos (o mais forte dos titãs) e de Rea, sua irmã.
   Diz a lenda que do casamento de Gaia (mãe terra) e Urano (céu) nasceram os titãs, ciclopes e gigantes, que personificavam as coisas grandes e poderosas da terra: montanhas, terremotos, furações etc. Cromos (o mais forte dos titãs), casou-se com sua irmã Rea e tiveram seis filhos. Zeus, Poseidon, Plutão, Hera, Héstia e Deméter.
   Temendo a rivalidade entre os filhos, Cromos os “devorou” logo ao nascer, exceto Zeus, que Rea escondeu numa caverna no bosque de Creta, e colocou uma pedra em seu lugar para ser devorada.         Entre outras lendas, Zeus teria sido criado por Melissa, que o alimentou com leite de cabra e mel.       Quando se tornou adulto, Zeus derrotou o pai e obrigou-o a ressuscitar seus irmãos. Libertou também os ciclopes da tirania de Cromos, e eles em recompensa deram-lhe as armas do trovão e do relâmpago.
   Zeus tornou-se senhor dos homens e supremo mandatário dos deuses que habitavam o monte Olimpo. Tinha o poder dos fenômenos atmosféricos e com sua mão direita mandava chuva para as plantações. Casou-se com sua irmã Hera (deusa protetora do casamento, da vida e da mulher), que também havia sido salva por sua mãe. Teve ainda muitas outras esposas, entre elas, Métis (deusa da prudência) e Têmis (deusa da justiça).
   Zeus tinha os seus súditos olímpicos e os mais famosos eram seus filhos, Febo, (deus do sol), Artêmis (deusa da lua e da caça), Hermes (alado mensageiro dos deuses), Ares (deus da guerra), Dionísio (deus do vinho e dos bacanais), Afrodite (deusa da beleza e do amor) e Palas Atena (deusa da sabedoria).
   Com Mnemosyne (deusa da memória), Zeus teve diversas filhas que eram musas semidivinas que os gregos também veneravam: Clio (musa protetora e inspiradora da história), Euterpe (da música), Talia (da comédia e da poesia), Melpômene (da poesia trágica), Erato (da poesia amorosa), Terpsícore (da dança e canto), Polimnia (da oratória e poesia sacra), Urânia (da astronomia) e Calíope (da poesia épica e da eloquência).
   A mitologia grega foi adotada por Roma quando a Grécia passou a fazer parte do Império Romano. Os deuses gregos se misturaram a outros já existentes. Júpiter, que tinha várias atribuições (era deus da cidade, do raio, do trovão) e diferentes nomes, segundo as funções, identificou-se com Zeus, pai dos deuses e senhor supremo do mundo.
   As ruínas do templo de Zeus Olímpico, dedicado a Zeus, com suas colunas monumentais estão localizadas no centro de Atenas, na Grécia. Construído no governo de Pisistrato, durante o século VI a. C., só foi terminado no ano 131 a. C., pelo Imperador Adriano.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

               A criação do mundo na Grécia Antiga


   "A criação do mundo sempre foi um problema para a mente humana e sua curiosidade insaciável. Os povos antigos, que não tinham informações sobre o assunto como nós, proveniente das Escrituras, tinham sua própria visão sobre o assunto.
   Para eles, antes de serem criados o mar, a terra e o céu, todas as coisas apresentavam um aspecto que se dava o nome de Caos – uma informa e confusa massa, na qual estavam latentes as sementes de todas as coisas. A terra, o mar e o ar estavam todos misturados, sem suas características de solido, liquido ou transparente. Deus e a Natureza interferiram nessa discórdia, colocando ordem nas coisas.
   A terra e o mar se separaram e ambos foram separados do céu. A parte ígnea, que era a mais leve, foi colocada no firmamento, o ar ficou em seguida, em relação ao peso e lugar. A terra, sendo mais pesada, ficou mais abaixo e a água ocupou o ponto mais inferior, fazendo a terra flutuar.
   Nesse momento, um deus não identificado, colocou as coisas em ordem na terra, determinando aos rios e lagos os lugares que ocupariam, levantou montanhas, cavou vales, espalhou bosques, fontes campos férteis e planícies árida. Ordenou aos peixes que tomassem posse do mar, às aves , do ar e aos quadrúpedes, que dominassem a terra.
   Após essa ordenação, tornou-se necessário a criação de um ser superior aos demais, e assim foi criado o homem. Não foi dito se o criador do homem utilizou materiais divinos, ou se na terra, recentemente separada dos demais elementos havia sementes celestiais ocultas.
   Prometeu, que era Titã, uma raça que habitou a terra antes do homem, foi indicado para essa criação e, tomando um pouco de terra e misturando com água, criou o homem á semelhança dos deuses, dando-lhe uma postura ereta, de modo que enquanto os outros animais têm o rosto voltado para a terra, o homem levanta a cabeça para o céu e olha as estrelas.
   Prometeu e seu irmão Epimeteu ficaram encarregados da criação do homem e dos demais animais e garantir-lhes as condições necessárias à sua sobrevivência. Dessa forma, Epimeteu deu a uns asas, a outros velocidade e a outros couraças de proteção, porém, quando chegou a vez do homem, os recursos tinham sido usados nos demais seres.
   Epimeteu com a ajuda de seu irmão Prometeu, pediu à Minerva (deusa da sabedoria) que os auxiliasse a concluir a criação do homem e Minerva concedeu-lhes o domínio sobre o fogo e este foi dado ao homem, o que fez com que este tivesse superioridade sobre as demais criaturas".

Fonte:
Bulfinch, Thomas, O livro de ouro da mitologia: (a idade da fábula): histórias de deuses e heróis – 9ª edição – Rio de Janeiro – Ediouro – 2000.
Arquivado em: Grécia Antiga, Mitologia Grega.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

'Sou nazista, sim': o protesto da extrema-direita dos EUA contra negros, imigrantes, gays e judeus.

*crédito:
  • 12 agosto 2017


Centenas de homens e mulheres carregando tochas, fazendo saudações nazistas e gritando palavras de ordem contra negros, imigrantes, homossexuais e judeus.

   Foi a cena - surreal, para muitos observadores - que desfilou aos olhos da pacata cidade universitária de Charlottesville, no Estado americano de Virgínia.
   O protesto, na noite da sexta-feira, foi descrito pelos participantes como um aquecimento para o evento "Unir a Direita", que acontece na tarde deste sábado na cidade e promete reunir mais de mil pessoas, incluindo os principais líderes de grupos associados à extrema direita no país.
   A cidade, de pouco mais de 50 mil habitantes e a apenas duas horas de Washington, foi escolhida como palco dos protestos após anunciar que pretende retirar uma estátua do general confederado Robert E. Lee de um parque municipal.
   Durante a Guerra Civil do país (1861-1865), os chamados Estados Confederados, do sul americano, buscaram independência para impedir a abolição da escravatura. Atualmente, várias cidades americanas vêm retirando homenagens a militares confederados - o que tem gerado alívio, de um lado, e fúria, de outro.



   Os participantes do protesto desta sexta-feira carregavam bandeiras dos Confederados e gritavam palavras de ordem como: "Vocês não vão nos substituir", em referência a imigrantes; "Vidas Brancas Importam", em contraposição ao movimento negro Black Lives Matter; e "Morte aos Antifas", abreviação de "antifascistas", como são conhecidos grupos que se opõem a protestos neonazistas.
   Estudantes negros do campus da universidade da Virginia, onde ocorreu a marcha, e jovens que se apresentavam como antifascistas tentaram fazer uma "parede-humana" para impedir a chegada dos manifestantes à parada final do marcha, uma estátua do terceiro presidente americano, Thomas Jefferson.
   "Fogo! Fogo! Fogo!", gritavam os manifestantes, enquanto se aproximavam do grupo de estudantes.
   Em número bem menor, o grupo que fazia oposição à marcha foi expulso da estátua em poucos minutos. A reportagem flagrou homens lançando tochas sobre os estudantes, enquanto estes, por sua vez, dispararam spray de pimenta nos olhos dos oponentes.
   A polícia, que acompanhou todo o protesto de longe, interviu e separou os dois grupos, enquanto ambulâncias se deslocavam ao local para socorrer feridos pelo confronto.
   "Esta manifestação é ilegal", afirmou um dos oficiais aos manifestantes, que se afastaram. A polícia não confirmou se houve presos.

    Nazis

   "Sim, eu sou nazista, eu sou nazista, sim", afirmou um homem, em frente à reportagem, durante uma discussão com um dos membros do grupo opositor.
   Ao contrário das especulações anteriores, a marcha incluiu muitas mulheres, que também seguravam tochas.


   A BBC Brasil conversou com um pai e uma mãe que levaram a filha de 14 anos ao protesto. "Eu aprendi com meu pai que precisamos defender a raça branca e hoje estou passando este ensinamento para a minha filha", afirmou o pai.
   "Se não fizermos algo, seremos expulsos do nosso próprio país", disse a mãe. A conversa foi interrompida por um homem forte e careca. "Vocês estão falando com um estrangeiro. Olha o sotaque dele!", afirmou, rindo, em referência ao repórter.
   A família se afastou e se juntou ao coro, que cantava "Judeus não vão nos substituir". Os três seguravam tochas.
   Outro homem afirmou que estava ali porque "têm o direito de se expressar".
   "Gays, negros, imigrantes imundos, todos eles se manifestam e recebem apoio por isso. Porque quando homens brancos decidem gritar por seus direitos e sua sobrevivência vocês fazem esse escândalo?", questionou o homem a um grupo de jornalistas.
   Perto dali, sozinho, um rapaz jovem estendia a mão e fazia uma saudação nazista, enquanto era fotografado por fotojornalistas e gritava: "Vocês não vão nos substituir".
   As tochas são uma marca da Ku Klux Klan, grupo fundado pouco depois da guerra por ex-soldados confederados - derrotados no conflito. Originalmente concebida como um clube recreativo, a KKK rapidamente começou a promover a violência contra populações negras do sul dos EUA.
   Por muitas décadas, grupos supremacistas brancos promoveram linchamentos, enforcamentos e assassinatos de negros.

    Richard Spencer, fundador do termo alt-right, que estará presente nos eventos deste sábado

   Não houve referências ao presidente americano Donald Trump durante todo o ato. Mas as críticas à imprensa eram constantes e faziam coro com o slogan de Trump: "Não temos medo de 'fake news', seus mentirosos".
   Chorando muito, uma estudante era amparada por amigos. "É pior do que a gente pensava. É muito pior. Isso vai virar um inferno."
   "A negra está assustada!", gritou uma mulher, rindo junto a um grupo de homens portando tochas.

 Alt-right

   O prefeito de Charlottesville divulgou uma nota após a marcha, classificando o ato como "uma parada covarde de ódio, fanatismo, racismo e intolerância".
   "A Constituição permite que todo mundo tenha o direito de expressar sua opinião de forma pacífica, então aqui está a minha: não só como prefeito de Charlottesville, mas como membro e ex-aluno da universidade de Virginia, fico mais do que incomodado com essa demonstração não-autorizada e desprezível de intimidação visual em um campus universitário".
   Para o protesto deste sábado, são esperadas figuras como Richard Spencer, criador do termo alt-right, uma abreviação de "alternative right", ou "direita alternativa", em português. O grupo é acusado de racismo e antissemitismo e têm representantes no governo de Donald Trump.
   Esta é a segunda vez que a cidade se torna sede de protestos de grupos supremacistas. Em 8 de julho, aproximadamente 40 membros da sede local da Ku Klux Klan também acenderam tochas em Charlottesville.
   Presidente de um organização que define como "dedicada à herança, identidade e ao futuro de pessoas de ascendência europeia nos EUA", Spencer ganhou visibilidade internacional por fazer a saudação "Hail Trump, hail nosso povo, hail vitória", logo após a eleição do republicano.
   Formado em filosofia política na Universidade de Chicago, Spencer já declarou que o ativista negro Martin Luther King Jr. era uma "fraude" e um símbolo da "desconstrução da Civilização Ocidental".
   Também disse que imigrantes latinos nos EUA estavam "se assimilando ao longo das gerações rumo à cultura e ao comportamento dos afro-americanos" e lamentou que o país estivesse se tornando diferente da "América Branca que veio antes".

fonte: BBC Brasil.


quinta-feira, 13 de julho de 2017


                                                        Guerras Médicas

    As Guerras Médicas, em que batalharam gregos contra persas, ocorreu na Grécia Antiga no século V a.C. e é também conhecida como Guerras Persas, Pérsicas, Medas, Greco-Persas ou Guerras Greco- Pérsicas.

   A causa da guerra se deveu ao fato de que os persas estavam expandindo o seu território, a conquistar colônias gregas e dominavam, assim, o comércio do Mar Egeu. Os gregos não aceitavam essa hegemonia e entraram na disputa pelas terras da Ásia Menor.
   As Guerras Médicas são assim conhecidas não pelo fato de vários médicos terem participado nas batalhas, mas sim porque o povo persa era também chamado de medo-persa.

   As Guerras Médicas foram os confrontos entre gregos e persas durante o século V a.C. que foram provocados pela disputa sobre a região da Jônia na Ásia Menor. As colônias gregas tentaram se livrar do domínio persa e garantir a hegemonia sobre um importante ponto estratégico de comércio.

   O Império Persa se estruturou transformando em um grande e poderoso império antigo, a iniciativa de expandir o poderio rumo ao Ocidente teve como consequência a conquista de colônias gregas na Ásia Menor. O Império Persa conquistou inicialmente a Lídia em torno do ano 546 a.C., a partir de então se abria um corredor para o domínio das sequentes colônias gregas na Jônia. Uma das mais importantes colônias gregas na região era Mileto, que se revoltou contra o domínio persa com o auxílio de Atenas. As revoltas promovidas pelas colônias gregas na Jônia causaram a ira do rei dos persas, Dario I, este resolveu então enviar seu poderoso exército para punir a Grécia Continental, tinham início as Guerras Médicas.

   As Guerras Médicas eclodiram por causa do choque de interesses das cidades-Estado gregas e o Império Persa, que almejavam dominar o comércio do Oriente Próximo, e pelo próprio fato da revolta das cidades gregas na Jônia, especialmente Mileto, com o apoio de Atenas e Erétria.
   A primeira Guerra Médica aconteceu em 490 a.C. quando o rei Dario I dos persas enviou seu numeroso exército dotado de 60 navios para a Grécia Continental, atacando Naxos e Erétria. O ateniense Milcíades assumiu o comando do lado grego e com seus 10 mil soldados conseguiu barrar o desembarque de aproximadamente 50 mil persas que seguiriam em sentido à Atenas. Os gregos derrotaram os persas na Batalha de Maratona e conseguiram impedir o avanço dos inimigos.
   A segunda Guerra Médica aconteceria dez anos mais tarde. Os persas não se deram por vencidos na primeira derrota e em 480 a.C. quando Xerxes, filho de Dario I, era o rei persa, resolveram atacar a Grécia na primavera daquele ano. As cidades gregas se organizaram para fortificar uma defesa, tendo as cidades de Esparta e Atenas como líderes. Os persas avançaram e venceram os gregos nas cidades de Termópilas e Artemision até a invasão e saque da cidade de Atenas. Os gregos possuíam vários conflitos entre eles mesmos, mas diante da situação de domínio persa conseguiram se entender e a frota ateniense sob o comando de Temístocles conseguiu derrotar os persas na Batalha de Salamina e dar um novo rumo à guerra. O ataque persa continuou e alguns meses depois o espartano Pausânias comandava o exército grego que venceu as tropas persas em Platéia, já em 479 a.C., encerrando a tentativa de invasão do império de Xerxes.
   Após a segunda Guerra Médica os gregos tiveram receio de que os persas pudessem tentar nova invasão, Atenas fundou então uma organização com outras cidades gregas chamada de Confederação de Delos para combater os persas. As cidades envolvidas na Confederação de Delos se comprometiam a contribuir anualmente com dinheiro, homens e barcos. Entretanto os anos passaram e a esperada invasão persa não havia acontecido desde a criação da Confederação de Delos em 478 a.C., Atenas aproveitou-se da posição privilegiada na organização para se beneficiar impulsionando seu comércio e impondo sua hegemonia ao mundo grego.
   A terceira Guerra Médica aconteceu finalmente no ano 468 a.C. em novo combate entre gregos e persas dessa vez na Ásia Menor. O ateniense Címon, filho de Milcíades que era líder da primeira Guerra Médica, tal como seu pai, derrotou também os persas. Nesta ocasião, persas e gregos assinaram um tratado em Susa no qual os persas reconheciam o domínio grego sobre o Mar Egeu.
   As Guerras Médicas trouxeram como consequência para Grécia a hegemonia de Atenas sobre as cidades gregas, o revigoramento da democracia, a decadência do Império Persa, a criação da Confederação de Delos e a rivalidade entre Atenas e Esparta. Os gregos conseguiram impedir a presença dos persas em seu território após três vitórias, mas os persas continuaram tendo influência sobre as cidades gregas por todo o Período Clássico.


Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerras_Médicas
Arquivado em: Antiguidade, Civilização Persa, Grécia Antiga



quinta-feira, 6 de julho de 2017

                    Reforma Protestante


  No século 16, na Europa central, foi iniciado um movimento de renovação da Igreja cristã denominado Reforma Protestante. Já no final da Idade Média vários fatores contribuíram para que isso ocorresse: a formação dos Estados Nacionais ou as modernas nações europeias, com toda a descentralização política e com príncipes limitando a autoridade do Imperador e com forte tensão entre o Estado e a Igreja.
  O poder do papado entrou em declínio, ocorreram confrontos com reis, divisões entre os próprios clérigos e a necessidade de reforma. Houve um Grande Cisma e até mesmo 3 papas rivais em lugares diferentes, de 1378 a 1417. O movimento Conciliar buscou solução para a crise numa tentativa fracassada de democratizar a Igreja e governa-la por meio de concílios. Os movimentos dissidentes na França acarretaram forte oposição e a Inquisição fora oficializada em 1233.
  Nos séculos 14 e 15 alguns movimentos esporádicos de protestos surgiram contra os ensinos e práticas da Igreja medieval e alguns líderes foram chamados de pré-reformadores: João Wycliff (1325-1384), João Huss (~1372-1415) e Jerônimo Savonarola (1452-1498), por combaterem irregularidades e imoralidades do clero, condenar superstições, peregrinações, veneração de santos, celibato e as pretensões papais. Também outros movimentos romperam com a Igreja, os movimentos devocionais como o misticismo, a Devoção Moderna dos Irmãos da Vida Comum. Também nasceu o interesse em estudar as obras da Antiguidade pelos Renascentistas e isso levou alguns “humanistas bíblicos” ao estudo da Bíblia nas línguas originais.
  Muita convulsão política, social e religiosa havia no final da idade média, revoltas dos camponeses, guerras, epidemias, o declínio do feudalismo e da liderança dos Papas e da Igreja. A população se ressentia dos abusos da Igreja e da sua falta de propósitos e corrupção.
  Muita violência, baixa expectativa de vida, contrastes e desigualdades sociais e econômicas às vésperas da Reforma, havia até mesmo certa revolta com a chamada “matemática da salvação” ou religiosidade contábil que tratava pecados como débitos e as boas obras como créditos e a venda de “indulgências” para perdão das penas temporais do pecado.

  Quando o dominicano Tetzel foi vender indulgências em Wittemberg, Martinho Lutero (1483-1546), se pronunciou contrário. Lutero, natural de Eisleben, ingressou no mosteiro de Erfurt e tornou-se professor na Universidade de Wittemberg. Diante das indulgências, ele afixou na porta da Igreja da cidade, em 31 de outubro de 1517, 95 Teses ou convites para o debate na comunidade acadêmica, desafiando a autoridade da Igreja. Por isso, foi acusado de heresia e chamado a Roma, em 1518, mas recusou-se a ir e manteve suas posições. Em 1519, participou de debate e afirmou que o “infalível” Papa podia errar.
  Em 1520, recebeu uma “Bula papal” para retratar-se ou seria excomungado. E Lutero, estudantes e professores de Wittemberg queimaram a Bula em praça pública. Também escreveu livros e tornou-se popular e notório em toda a Europa. Em 1521, na Dieta de Worms, Lutero reafirmou suas ideias e precisou se refugiar no castelo de Wartburg sob proteção de um príncipe-eleitor. Ali Lutero traduziu a Bíblia para o alemão e a “reforma luterana” se espalhou rapidamente, com o apoio de vários principados alemães, por todo o sacro Império.
  Mas, houve forte oposição católica às novidades luteranas. Em 1526, houve certa tolerância. Mas, como em 1529 acabou essa política conciliadora, os líderes luteranos fizeram um “protesto” formal de apoio a Lutero e isso deu origem ao nome histórico “protestantes”. O auxiliar de Lutero, Filipe Melanchton (1497-1560) apresentou ao Imperador a “Confissão de Augsburgo”, defendendo a doutrina luterana (21 artigos) e indicando 7 erros da Igreja Romana.
  Ocorreram guerras político-religiosas entre católicos e protestantes, de 1546 a 1555, findando com o tratado de “Paz de Augsburgo”, reconhecendo a legalidade do luteranismo como religião oficial de um território cujo príncipe a adotasse como tal. O protestantismo se espalhou pela Suécia, Dinamarca, Noruega e Islândia. Foram defendidos princípios básicos que caracterizaram as convicções e práticas protestantes: os cinco “Solas”: Sola Scriptura (somente as Escrituras), solus Christo (salvação somente em Cristo), sola gratia (salvação somente pela graça divina), sola fides (salvação somente pela fé), soli Deo gloria (glória dada somente a Deus), além do sacerdócio universal dos cristãos.
  Outro reformador que marcou época foi Ulrico Zwínglio (1484-1531), reformador da Suíça, no movimento chamado “segunda Reforma” que deu origem às Igrejas Reformadas na Suíça alemã e no sul da Alemanha, promovendo mudanças mais radicais que os luteranos.
  Os reformadores radicais ou Anabatistas (rebatizadores) geraram o terceiro movimento reformado, também em Zurique, Suíça, sendo mais fanáticos, entusiastas e radicais. Os anabatistas defenderam a separação completa entre igreja e estado.
  O grande reformador do século 16 foi João Calvino (1509-1564), francês que se refugiou em Genebra, estudou teologia e humanidades, Direito. Esteve em Genebra por duas vezes, de 1536 a 1538, e de 1541 até ao final de sua vida. A cidade se tornou o grande centro do protestantismo e preparou líderes para toda a Europa, além de abrigar muitos refugiados das guerras religiosas. O calvinismo foi o mais completo sistema teológico protestante e originou as Igrejas Reformadas (Europa continental) e presbiterianas (Ilhas britânicas).
  A Reforma Protestante ocorreu na Inglaterra com a atuação de refugiados que voltaram de Genebra. Contribuíram também, o anticlericalismo dos ingleses, os ensinos luteranos desde 1520, a tradução da Bíblia para o inglês. Mas, principalmente o rei Henrique VIII (1491-1547), com seus muitos casamentos e desentendimentos com o catolicismo, até que seu sucessor Eduardo VI (1547-1553) e seus tutores implantaram a Reforma no país e cessaram as perseguições. Sintetizaram as doutrinas luteranas e calvinistas, além dos traços da liturgia católica e, no reinado de Elisabeth I, a Inglaterra tornou-se oficialmente protestante, criando a Igreja Anglicana.
  Na Escócia, o protestantismo foi introduzido por John Knox, discípulo de Calvino, e criou o conceito político-religioso de “presbiterianismo”, com igrejas governadas por oficiais eleitos pela comunidade, os presbíteros, livres da tutela do Estado.
  De fato, esses protestantes não queriam inovar, mas restaurar antigas verdades bíblicas que a Igreja havia esquecido ou trocado por suas tradições humanas. Valorizaram as Escrituras, a salvação pela graça divina e pela fé somente, sem as obras.

Por Armando Araújo Silvestre
Pós-doutorado em História da Cultura (Unicamp, 2011)
Doutor em Ciências da Religião (Umesp, 2001)
Mestre em Teologia e História (Umesp, 1996)
Licenciado em Filosofia (Unicamp, 1992)
Bacharel em Teologia (Mackenzie, 1985)